O impacto da desindustrialização na economia brasileira

Entenda esse processo e seus efeitos que já começam a aparecer no Brasil.

O termo desindustrialização vem sendo amplamente discutido nos últimos meses por empresários, analistas econômicos e importantes entidades ligadas à indústria tais como o CIESP (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) e a FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).

Entenda esse processo e seus efeitos que já começam a aparecer no Brasil.

O termo desindustriliazação vem sendo amplamente discutido nos últimos meses por empresários, analistas econômicos e importantes entidades ligadas à indústria tais como o CIESP (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) e a FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).

O processo de desindustrialização se caracteriza como um declínio persistente na participação da produção industrial no PIB e na participação dos empregos industriais no total de empregos da economia. Em outras palavras, se refere à perda relativa de dinamismo da indústria na geração de renda e emprego na economia.

A valorização do Real, o elevado custo de produção, a elevada taxa de juros, a taxa de câmbio que favorece importações e diminui a competitividade dos exportadores brasileiros e a concorrência desleal com produtos importados, cópias, pirataria e contrabando são os principais fatores que contribuem para a desindustrialização no nosso país.

Segundo artigo publicado no final de abril, no jornal O Estado de S. Paulo, pelo presidente da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos), Luiz Aubert Neto:  “(...) É verdade que a economia está aquecida e seu crescimento, sendo puxado pelo forte consumo do mercado interno. Mas o consumo vem sendo atendido cada vez mais por produtos importados. Há uma verdadeira invasão desses produtos, e a maioria deles vem da China. A consequência disso é que o Brasil vai ficando cada vez mais defasado em inovação e desenvolvimento tecnológico, um retrocesso, já que as indústrias de média e de alta tecnologia são de fundamental importância para uma nação que busca o desenvolvimento (...)”.

Na visão de Ricardo Martins, Diretor de Comércio Exterior e Relações Internacionais do FIESP, esse contexto se confirma. “É possível afirmar que há um processo de desindustrialização da pauta de exportações, uma vez que os bens importados avançam e tomam espaço nas cadeias produtivas domésticas. O Custo Brasil e a competitividade chinesa aceleram o processo de desindustrailização das exportações e o de concentração da indústria brasileira”, diz.

Em entrevista concedida para a revista do CIESP Vale do Paraíba e Litoral Norte, na edição de fevereiro/março 2011, o Diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do FIESP, Paulo Francini, fez um alerta para a queda na produção industrial a partir do último ano mesmo diante do reaquecimento do mercado interno. “A partir de abril de 2010, a produção industrial mostrou pouco dinamismo e não acompanhou o desempenho do mercado interno. Esse papel foi ocupado cada vez mais pelas importações. E isso acarretou custos para a indústria e para a sociedade, pois se a participação dos produtos importados no atendimento à demanda se mantivesse no mesmo nível de 2008, a produção da indústria de transformação nacional seria superior em R$ 17,3 bilhões”.

Para evitar que o processo de desindustrialização se aprofunde no Brasil, órgãos o CIESP e a FIESP têm contribuído com medidas importantes. O CIESP, por exemplo, realiza mensalmente o treinamento de auditores fiscais responsáveis pelo monitoramento de importações nos portos e aeroportos brasileiros com o intuito de combater o contrabando, a pirataria e o subfaturamento, ações custeadas com recursos da indústria paulista.

Em paralelo a essas iniciativas, empresários, especialistas econômicos e as entidades relacionadas à indústria cobram do governo a resolução da questão cambial, que é ponto crítico no curto prazo, uma vez que o Real ainda continua muito sobrevalorizado, onerando os produtos brasileiros. Ao mesmo tempo, apontam a necessidade de melhorar a estrutura tributária nacional, de modo a não onerar a produção e as exportações bem como acelerar os investimentos em infraestrutura para o melhor escoamento das mercadorias.

Para se ter uma ideia, no Estado de São Paulo e, especialmente no Vale do Paraíba já é possível perceber os impactos do processo de desindustrialização. Dados divulgados pela Fundação SEADE (Sistema Estadual de Análise de Dados) apontam que o PIB paulista teve crescimento real de 5,9% em 2008. O Vale do Paraíba é responsável por 5% desse total. Porém, a indústria apresentou queda de 32,29%.

Esse novo cenário, em contrapartida, tem beneficiado os setores de serviço e comércio. Um estudo do NUPES (Núcleo de Pesquisa Economica e Social) da Unitau aponta um aumento dessas atividades em 82,29% e 66,42%, respectivamente. Por conta disso, a mão-de-obra industrial tem se transferido para os demais setores, afetando diretamente a economia da região. Na cidade de São José dos Campos - SP, em meados dos anos 80, o número de emprego industrial respondia por 58% do total e atualmente, corresponde a apenas 33%.

Para minimizar os reflexos da desindustrialização na cidade e na região, entidades locais como a Assecre (Associação dos Empresários do Chácaras Reunidas) e o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e região se uniram com FIESP e CIESP na defesa perante o governo da diminuição dos impactos negativos que oneram a indústria como a valorização do Real, a carga tributária, juros altos e burocracia com leis e normas.

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